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Sempre gostei do Jamie Oliver. Adoro os pratos sofisticados que ele faz com o pé nas costas, o jeito simples com que ensina as receitas, os ingredientes frescos e orgânicos que usa e os programas que faz na fazenda com o jardineiro Brian. Além disso, acho um charme aquela língua presa, aquele sotaque britânico e aquela cara de guri que ele tem.

Mas nos últimos tempos o chefe inglês anda me impressionando também pela postura revolucionária que tem adotado. Dia desses, vi no GNT o programa “Jamie’s Fowl Dinners”, veiculado pela primeira vez em 2008 no Reino Unido. A proposta feita aos convidados, que iam desde apaixonados por McDonald’s e empresários da indústria alimentícia até adeptos de comida orgânica, foi de ir a um jantar de gala preparado pelo renomado chefe Jamie Oliver. Mas houve mais que apenas um jantar.

Como os pratos seriam a base de ovos e frango, o apresentador mostrou como é a vida de uma galinha em uma cadeia produtiva. Além de vídeos com bichos que não conseguem andar por causa do crescimento acelerado e gaiolas superlotadas, houve demonstrações no estúdio do sacrifício de pintinhos machos que não servem para colocar ovos e da morte de animais prontos para o abate.

No fim, Jamie Oliver cozinhou duas versões de cada receita: uma com frangos industrializados e outra com frangos criados soltos, sendo essa última a preferida de todos os convidados, como já era de se esperar. Mas, olha, eu contei isso tudo para ilustrar a posição ousada do cidadão ao desafiar uma indústria tão poderosa mundialmente. Claro que ele também tem seus interesses, afinal está no ramo de venda de produtos orgânicos. Mas isso não invalida o fato de ele estar do lado certo, na minha opinião.

E, para fazer uma propaganda gratuita, vem mais por aí. Sábado começa a passar aqui no Brasil a série “Jamie’s food revolution”, em que ele vai para a cidade menos saudável dos Estados Unidos para tentar mudar os hábitos alimentares da população. Pelo trailer que está no YouTube, parece que o negócio vai ser tenso. Tem até criança achando que tomate é batata e merendeiras desdenhando o que ele propõe. Eu vou assistir. E, como diz Jamie Oliver, “If you think that’s not important, then shame on you” (Se você não acha que isso é importante, que vergonha”).

Cai, cai balão

Guardando as compras da feira, olho para o papel roxo que embrulha a maçã argentina e tenho a sensação de que, para mim, ele tem um significado maior que de apenas uma embalagem de fruta.

– Anita: Celsoooo, pra que a gente usava esse papel quando eu era criança?
– Pai: Ah, peraí.

Misterioso, meu pai vem até a cozinha, junta as quatro pontas do papel, abre a porta que dá para o quintal e cuidadosamente posiciona o objeto no chão. Em seguida, coloca fogo em uma das extremidades e o balão voa, voa até cair no outro lado da calçada e se desmanchar em cinzas.

– Pai: Não é nada né, mas para uma criança…

É mesmo. Tanto que aquele papel roxo, aparentemente sem graça, me levou a um lugar do passado que conscientemente não sabia existir.

E agora, José?

E agora, Anita?
A viagem acabou,
O farol apagou,
O sonho sumiu,
A perna esfriou,
E agora, Anita?

O coração continua em movimento. A cabeça voa. Os pés coçam. E tudo que aparece na minha frente agora parece viajar: os programas de TV, os amigos de facebook, meu primeiro frila e até o poema de Mario Quintana que leio antes de dormir.

Preparativos para a viagem

Uns vão de guarda-chuva e galochas,
outros arrastam um baú de guardados…
Inúteis precauções!
Mas,
se levares apenas as visões deste lado,
nada te será confiscado:
todo o mundo respeita os sonhos de um ceguinho
– a sua única felicidade!
E os próprios Anjos, esses que fitam eternamente a face
[do Senhor…
os próprios Anjos te invejarão.

(Mario Quintana)

Acho que agora sim posso dizer que cheguei. Depois da minha primeira semana de volta ao Brasil, cheia de pai e mãe para curtir, familiares para ver, sono para colocar em dia, malas para desfazer e roupas para lavar, saí novamente em viagem.

Primeiro, visitei minha vó no interior de Santa Catarina. Na sequência, fiquei quase dez dias com minha tia, meu tio, meu afilhado lindo e meu novo priminho numa pequena cidade do Rio Grande do Sul. Em seguida, fui conhecer Porto Alegre e rever duas amigas especialíssimas. Por fim, ganhei de lambuja um fim de semana no Farol de Santa Marta, em Laguna, com meus pais.

Só na semana passada é que finalmente voltei à vida real. E olha que nem é tão vida real assim porque não tem trabalho. Só comecei a resolver minhas pendências com bancos e médicos e coisas do tipo. Então agora é que vai começar a parte difícil, certo?

Aquele em casa

Cheguei! Sim, já faz dias, mas ainda não tinha conseguido postar. Tenho andado muito ocupada, sabe? Desde o último post, escrito ainda na Malásia, muita coisa aconteceu.

Para começar, reencontrei minha mãezinha amada em Buenos Aires, onde ficamos cinco dias. Depois de quase um ano e meio longe, nos abraçamos, nos beijamos, andamos de mãos dadas pelas ruas da capital argentina, tiramos fotos uma da outra, contamos histórias que ainda não tinham sido contadas, dividimos opiniões, rimos das nossas tentativas de falar espanhol, enfim, aproveitamos nossa pequena viagem até não poder mais.

Eu e mamãe no Caminito, bairro da Boca

Ainda em Buenos Aires, revi uma grande amiga dos tempos de ballet. Ela hospedou minha mãe e eu durante nossa estada lá. Maria Clara continua a mesma graça de pessoa, mas agora tem metade da cabeça raspada. Continua dançando maravilhosamente bem, mas agora tem papel de primeira bailarina no Teatro Colón e é aplaudida até nos ensaios.  Continua uma palhaça, mas agora tem um palhaço como companheiro. Porém, há coisas que não mudam, claro. Ela ainda é aquela menina doce, sincera e generosa. E ainda fala com aquela vozinha besta que contamina todo mundo ao seu redor.

Do lado esquerdo, Maria Clara e Pato. Do direito, Anita e Margaret. Os quatro em uma pizzaria argentina. Aquela pizza de quatro queijos, depois da minha temporada na Ásia, onde praticamente não se encontra queijo, foi algo dos deuses

Depois da minha parada na terra dos hermanos, finalmente embarquei para o Brasil. E a chegada foi emocionante, como não podia deixar de ser. Meu pai com sua câmera a postos, minha avó com um vaso de flores nas mãos, tio Roberto, tia Cleuza, Júnior, Roberta, Neto e Camila com balões e gritos e abraços sem fim. A partir daí, fiquei ainda mais ocupada e assim posso justificar a falta de posts no blog, que, aliás, pretendo manter, só que agora com acentos, já que o teclado permite.

A galera no aeroporto. Meu pai, claro, atrás da lente

Montinhooooo. Eu tô lá, em algum lugar

No meu primeiro dia de volta ao Brasil, praticamente só dormi. No segundo, desfiz as malas e falei ao telefone com meio mundo. No terceiro, almocei e tomei chá e mais chá e mais chá com a família quase toda. No quarto, resolvi lavar umas roupinhas, o que sempre é bom né!? No quinto, torci para a seleção brasileira querida do coração. E no sexto… bom no sexto, decidi que era hora de postar.

Almoço da família em casa. Hum, aquele risoto de frutos do mar estava tudo. Inveje, Thiago

A família apreensiva durante o começo do jogo do Brasil contra a Coréia do Norte

É goooooool

E a vó também comemora!!! A Jéssica, em compensação, só comenta

Até mais, então, meu povo! ; )

Aquele da Malasia

Deixar a Tailandia depois de quase dois meses nao foi facil. Me apeguei ao povo, a cultura, ao alfabeto estranho, a comida deliciosa, as paisagens cinematograficas. Deu uma dor no coracao.

Mas, devo dizer que tive uma otima surpresa ao chegar na Malasia. So fui a tres lugares ate agora – Penang, Perhentian Islands e Cameron Highlands -, mas ja acho o pais interessantissimo. Muitos dos lugares sao multiculturais, a culinaria eh excelente, a natureza impressiona e os precos ajudam, hehe.

Apesar de estar amando, nao consigo deixar de estar numa ansiedade sem precedentes. Afinal de contas, em apenas quatro dias, comeco minha viagem de volta para casa, fazendo uma parada de alguns poucos dias em Buenos Aires. Ai, genteeeee, to chegando!!! Nao vejo a hora!!! Ate logo.

Os cinco dias em que passei na ilha de Phi Phi, na Tailandia, foram alguns dos mais intensos da minha viagem. Nao, nao por causa da beleza assustadora de la. Mas sim porque minha vida pessoal meio que virou do avesso, sabe? Eu, que nunca, nem mesmo no Brasil, tive o costume de beber, enchi a cara todo os dias e entendi a filosofia de curar ressacas com novos porres. Eu, que estava numa viagem majoritariamente solitaria ha meses, encontrei brasileiras e brasileiros que roubaram meu coracao. Eu, que durante toda a minha estada no sudeste asiatico tentei me hospedar em lugares tranquilos, fiquei no albergue mais baladeiro (e sujo!) da ilha. Eu, que estava sem trabalhar desde o ano passado, arrumei um bico distribuindo panfletos na frente de um bar. E adivinhem? Adorei, me diverti horrores e faria tudo de novo.