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Archive for outubro \01\UTC 2010

Meu prazo final para entregar uma série de documentos a uma empresa aqui em Florianópolis era sexta-feira. “Tem que ser, senão não vais poder começar a trabalhar na segunda”, alertou a menina do RH no email que me mandou com a lista de papéis que deveria providenciar.

Quase toda minha documentação – carteira de trabalho, identidade, CPF e título de eleitor – estava em São Paulo. Mas nem cheguei a considerar isso um problema, afinal a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos é ótima. Assim, pedi para um grande amigo me enviar tudo por Sedex 10.

Na quarta-feira de manhã, como prometido, ele endereçou o envelope com boa parte da minha vida burocrática para cá. Na quinta, quando o negócio deveria ter chegado, nem sinal. Até as 9h da sexta, nada também. Mas, como os Correios são ótimos, têm o chamado código localizador, que serve, justamente, para localizar objetivos atrasados, perdidos ou extraviados.

Cheia de esperanças de ainda conseguir levar a papelada para a menina do RH a tempo, mando um SMS para o meu amigo pedindo o tal número. Mas não obtenho sucesso: “Tô no trabalho e o papel ficou em casa. Só de noite. Beijomeliga”. Em vez de ligar para ele, o que não ia adiantar de nada mesmo, entro em contato com a central telefônica dos Correios. Já nem tão crente de que a coisa daria certo, pergunto se há um jeito de descobrir o código tendo em mãos o meu nome e o nome do remetente, o meu endereço e o endereço do remetente, o meu CPF e o CPF do remetente. “Não, senhora, só podemos fazer a busca pelo número. Tente tirar uma segunda via do comprovante na agência de onde seu amigo lhe enviou o material”, aconselha a atendente. Aham, obrigada, querida, beeeijotchau.

Praticamente sem opção, tomo uma decisão radical: ir até a central dos Correios aqui na Ilha. Esbaforida, chego lá e explico meu problema para a primeira funcionária que vejo na frente. “É no setor de caixa postal, no final do corredor à esquerda.” No bendito departamento, recebo a mesma informação que havia escutado da moça do call center. E mais: “Ah, Sedex 10? Não, Sedex 10 nem vem pra cá, vai direto para a sua casa. Tem que aguardar”. Ah eh? Obrigada, então, querido, beeeeijotchau.

Agora totalmente sem alternativa, concluo que devo fazer o que posso e sigo para a clínica onde deveria fazer o exame médico admissional. Quando a recepcionista me pede uma identificação, abro minha bolsa para pegar a carteira de motorista e cadê? “Cadê, meu senhor, cadê? Não sei, perdi. Olha, o que tenho é minha carteirinha de jornalista”, digo. “Que está vencida desde 2009, senhora. Mas tá, pode ser”, responde a guria. Até que enfim algo fácil.

Com o atestado de saúde, mas sem lenço e sem documento, vou para o terminal de ônibus e espero meia hora pela condução que me levaria à empresa, onde tentaria negociar com a menina do RH. Quando peço pela fulana na portaria, exatamente ao meio-dia, ouço a última coisa que gostaria: “Ela saiu para almoçar e só volta às 14h”. Jura? Jura? Jura?

Desisto. Vou para casa, coloco uma roupa bem folgada e deito na cama. Dali um pouco, o carro dos Correios buzina e o carteiro me entrega o maldito Sedex. Jura? Jura? Jura? Agora? Foda-se! Dessa vez quem vai enrolar sou eu! Essa porcaria vai ficar para segunda. Informo a menina do RH da minha decisão, fecho a casa, me enfio debaixo do edredon e durmo o sono dos justos.

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