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Archive for setembro \23\UTC 2010

Tudo andava tão tranquilo
A chuva caía, o sol saía e eu escrevia
O dia começava, a noite chegava e eu trabalhava
O silêncio batia, uma companhia surgia e eu respondia
Alguém ligava, o telefone tocava e eu conversava
Não havia mais sinal de nada daquilo

Até que o velho fantasma apareceu
E tudo o que vi foi um breu
Pensei que ele tinha vindo para tirar o que agora é meu
Mas não, de repente ele desapareceu

Após meia dúzia de palavras e respiros, a assustadora forma branca se desfez
Transformou-se em um belo pacote embrulhado para presente
E foi como se ele nunca tivesse tido vez
Como se a serenidade sempre tivesse sido onipotente

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No ônibus
O motorista conversa animadamente com um senhor sentado na parte da frente do veículo quando avista um semáforo cheio de cabos eleitorais balançando bandeiras de candidatos e grita: “Olha ali ó, seu fulano. O senhor vota em algum desses aí?”. Sem deixar o idoso responder, dispara: “Eu não dou meu voto pra nenhum desses vagabundos aí não. Vou votar no PT. Na Ideli, na dona Dilma”.

Enquanto isso, no último banco, duas amigas batem papo. “Não acredito que você vai votar na Dilma”, diz uma. “Claro. Ela vai continuar o que o Lula tá fazendo e eu acho que ele tá fazendo direito”, responde a outra. A uma volta a argumentar: “Mas o Serra é muito mais confiável e no governo do Lula eles roubaram tanto”. A outra, já se levantando para descer do ônibus, retruca e se despede: “Todos roubam, amiga, todos. Tchau, querida, até amanhã”.

Em encontros de família
Em um almoço, tios, tias, primos e a avó discutem civilizadamente seus votos e fazem piadas uns dos outros. “Eu queria votar na Marina, mas cada vez que a vejo falando me decepciono. Acho que ela não está preparada e mistura muito religião com política.” “Ah, eu vou no Serra por causa dessa robalheira que foi o governo Lula.” “Eu acho que se a Dilma ganhar, o Brasil vai virar uma Venezuela. Qual é a cor do PT? Vermelho. Qual é a cor do Chávez? Vermelho.” “Hahahahaha.” “Eu tenho medo de que a Dilma ganhe.” “Sai daí, ô Regina Duarte.”

E aí sempre tem aquele que não sabe debater e parte para a agressão verbal. “Tu vais votar na Dilma? Sua bitolada, tu não sabes nada. Eu é que vivi a vida toda na política.” “Opa, me desculpa, mas se você não sabe discutir, eu não sou discutir. Com licença.” Melhor sair que criar encrenca.

Numa janta, rola o tema “voto para senador”. “Tá difícil aqui em Santa Catarina.” “Ah, tem a Beth, ‘A Beth da família’. Hahahahaha.” “Tem um do PSTU, um rastafári, maconheiro, que diz que vai estatizar tudo.” “Tem o Vignatti.” “Ah, não, o Vignatti não dá, é muito mala com aquele monte de emails que ele manda.” “Então acho que vou anular.”

Independente do que o povo discute, pelo menos discute.

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Hoje de manhã uma gralha azul veio me visitar. Pousou no muro do vizinho e, azul, azul, ficou se exibindo para quem quisesse olhar. Um tempo depois, já cansada dos meus olhares encantados, me esnobou e voou para uma árvore do outro lado da servidão.

Na hora do almoço, contei para meu pai e minha mãe que os aracuãs que vivem por aqui se instalaram no pé de araçá que fica do lado do meu quarto e do porão. “Bem espertos eles, estão só esperando os frutos crescerem”, comentei. Minha mãe completou dizendo que os aracuãs andam é em disputa territorial com as gralhas azuis. Disso eu já não sei.

De tarde, no intervalo entre uma matéria e outra, fui me alongar olhando para o mar e fiquei observando o pé de limão, onde havia pássaros bem pequeninhos. Vi um verde e um amarelo, tão bonitinhos.

Mais tarde, enquanto trabalhava, ouvi o som do que parecia ser alguém batendo com uma caneta numa mesa. Virei na direção da janela e, pelo vidro, vi um pica-pau bicando um dos galhos do araçazeiro, completamente alheio à minha surpresa.

Não é todo dia que todos eles dão o ar da graça, mas algum sempre se ouve e algum também sempre se vê através da vidraça.

Um dos aracuãs que frequentam a minha janela

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