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Archive for março \31\UTC 2010

Gili Meno esta no topo da lista dos meus lugares favoritos na Indonesia. Se nada mudar nos proximos dias, que serao meus ultimos no pais por hora, a ilha sera a campea de longe. Meno, junto com Air e Trawangan, compoe o arquipelago muculmano Gili, que fica a cerca de oito horas de Bali (isso pegando balsa, onibus, barco e carroca, se bobear) e de meia hora de Lombok. Fui para la passar cerca de quatro dias passeando pelas tres ilhas. Acabei ficando dez, cinco so em Meno.

Alem de ser a mais preservada das tres ilhas, Meno eh tambem a menos populosa. Provavelmente uma coisa esta ligada a outra. Mas nao foi so a beleza natural estonteante e os recantos desertos que me encantaram no local. O povo foi sem duvida o grande diferencial. Posso ter tido sorte, claro. Mas isso nao muda a experiencia incrivel que tive la.

Para comecar, o barco que me deixou na ilha (fui a unica a descer la, enquanto todos os outros passageiros seguiram para Trawangan, chamada de “party island”) parou no meio de uma praia x e nao no trapiche onde costumar ancorar. Por causa disso, nao vi o centrinho da ilha e os principais hoteis. Fui direto para um canto isolado, com poucas opcoes de hospedagem. Dentre elas, escolhi a mais barata, considerando que o quarto era ok. Obrigada, destino.

Beach Cafe, o lugar onde me hospedei, de uma familia local. Praticamente todos os parentes (pais, irmaos, primos, agregados) trabalham la. Cada um ajuda com o que pode, seja contabilidade, contato em ingles com os clientes, culinaria, massagem ou somente simpatia. Falo em clientes porque o lugar serve cafe da manha, almoco e janta e eh quase famoso pela boa comida. Mas de hospede mesmo so tinha eu. E ai que ganhei toda a atencao do mundo. Ati, a dona do negocio, e sua bebe Luna foram as primeiras a se aproximar para conversar, sorrir, brincar. Depois, veio Zulham, que acabou virando meu amigo no tempo em que fiquei la. Na sequencia, surgiu uma infinidade de pessoas da familia das quais infelizmente nao decorei o nome.

Foi um tal de fazer comida especial para a Anita, chamar a Anita para ir a praia, convidar a Anita para jogar bola, acompanhar a Anita ate a vila para ela nao se perder, emprestar o snorkel para a Anita, levar a Anita para pescar, pedir para a Anita cuidar um pouquinho da Luna, tocar violao para a Anita ouvir musicas locais, e ate arrumar um convite para a Anita ir ao casamento muculmano que estava agitando a ilha. Assim feliz passei meus dias em Meno. E nao exatamente assim feliz deixei a ilha para continuar minha viagem pelo Sudeste da Asia.

Eh bom esclarecer que esse clima hospitaleiro eh influenciado pelo fato de a religiao muculmana praticada na regiao ser bem “relax” comparada a de outros lugares. La, mulheres nao precisam cobrir o cabelo a nao ser que estejam em uma mesquita e horarios para oracoes nao sao muito rigidos, por exemplo. Ainda assim, existe um grande desprezo dos homens em relacao ao sexo feminino, como em diversos paises nao-muculmanos, ate mesmo no Brasil. Vale lembrar tambem que, em geral, turistas sao poupadas desse tipo de tratamento e tem direito a algumas regalias como participar de atividades que normalmente seriam destinadas somente a homens.

Abaixo vao alguns dos momentos especiais da minha estada em Meno.

Meu quartinho, simples, mas fofo

O banheiro, assustador so no inicio. A pior coisa eh que o chuveiro era de agua salgada, que nao deixa sabonete em barra fazer espuma e bloqueia a acao do condicionador. Cabelo palha de aco? Imagina

Vista da minha cama durante o amanhecer. Mosquiteiro eh um item essencial por la

Cabaninhas onde tomei cafe todos os dias

Cabaninhas que tambem me abrigaram durante os poucos momentos em que choveu por la. Eu nao queria sair da frente da praia por nada neste mundo

Mar cheio de corais, otimo para mergulhar de snorkel

Banho de mar que parece banho de piscina

Nao parece piscina mesmo?

E eu nao me cansei de tirar fotos deste mar espetacular

Pena que a agua fica cheia de lixo quando chove

Ao fundo, a ilha de Trawangan

Esse eh o jeito que a molecada mais gosta de pescar. Mistura pesca com vara e banho de mar. E, para melhorar mais um pouco, um arco-iris de lambuja

Um dos filhos da Ati que anda sem roupa a torto e a direito. Na foto, ele esta fazendo um chocalho, que foi usado mais tarde ao redor da fogueira

Mais uma dele, se preparando para cair na agua

E felicidade pouca eh bobagem

Ati alimentando Luna, um dos bebes mais tranquilos que ja vi na vida. Ao fundo, uma turista ganhando massagem tipica do local

Aqui comecam as fotos do casamento muculmano a que fui. Foram tres dias de festa. So fui a partir do segundo, retratato nesta imagem. Depois de ouvir uma cantoria feita so por homens, a noiva recebeu bencaos das mulheres

Cada dia, a noiva deve usar um vestido diferente. Adorei esse amarelo queimado

Um vestido branco nao podia faltar

A festanca foi boa, animada por um grupo tocando musica tradicional sasak, lingua falada em Lombok, principal ilha perto do arquipelago de Gili

Esse menino tocando pandeiro arrasou durante horas a fio

E a Anita jantando na rodas mulheres, onde ninguem falava ingles? Perdidinha que so. Toda a comunicao das senhoras da familia comigo se resumia a elogios a minha roupa, sorrisos e infinitos pratos de comida

Zulham, meu amiguinho de Meno. Como todos os homens da vila, bebeu todas na festa. Da-lhe vinho misturado com cerveja. Nao, nao eh que se bebe os dois. Eh que se mistura os dois numa jarra gigante e manda ver

Jack, da Republica Tcheca, e Ronnie, da Alemanha, foram meus companheiros gringos na festa

E essas duas coisas mais fofas do mundo tambem me acompanharam durante o casamento

Sophie e Eddie, dois ingleses queridos que tambem marcaram minha passagem por Meno

E uma sereia em homenagem a Meno, nao feita por mim, claro, nao tenho essa capacidade. Obra dos guris da familia Beach Cafe

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Estou deixando Bali amanha. Bem feliz e bem triste. Devo dizer que ao contrario da maioria das pessoas, que ama Bali incondicionalmente, eu desenvolvi uma relacao de amor e odio com o lugar. Ate porque a tua impressao de um local nao depende so do proprio local, mas tambem das experiencias que vives nele. E eu enfrentei algumas dificuldades por aqui.

Primeira dificuldade: transporte. Quando nao se dirije moto ou nao se tem muito dinheiro para pagar taxis para cima e para baixo, eh bem escasso. Entao, para uma guria sozinha, se locomover nao eh exatamente simples. Segunda dificuldade: banheiros. A maioria deles sao os chamados banheiros asiaticos, onde nao ha privada para sentar, voce tem de se agachar. E ai haja santo que ajude ne. Terceira dificuldade: paciencia para lidar com o assedio aos turistas. “Transport, transport, room, room, massage, massage” eh tudo o que se ouve pelas ruas. Nunca foi tao sofrido para mim encontrar pessoas locais normais para conversar. Todo mundo que se aproxima de ti quer dinheiro de algum jeito. E isso me chateou muito. Ate porque a receptividade do povo tinha sido a coisa da qual mais tinha ouvido falar antes de vir para ca.

So fui encontrar pessoas genuinamente simpaticas – nao comerciantes, nao vendedoras, nao prestadoras de servicos – em pequenas comunidades no interior de Bali, onde consegui chegar a muito custo. E eh ai que a ilha brilha. Hindus abertos a tentar te explicar suas cerimonias em um ingles rudimentar, trabalhadores comuns almocando em pequenos restaurantes e felizes em te contar suas vidas, o tipo de pessoas que eu estava procurando. Alem disso, Bali me encantou por suas conhecidas riquezas cultural, religiosa e arquitetonica. Tudo eh muito impressionante e muito interessante.

Entao, ate a proxima, Bali. E que venha Java!

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Aqui estou, na Indonesia. Mais especificamente em Bali. Mais especificamente em Ubud, pequena cidade ainda considerada o coracao cultural da ilha hindu, apesar do crescimento desordenado do turismo na regiao.

Mas a deliciosa Ubud nao foi a primeira localidade onde botei os pes em Bali. O local para onde fui inicialmente foi Kuta, um daqueles aglomerados turisticos cheios de lojas, shoppings, baladas, congestionamento, bombacao, gente vendendo todo tipo de coisa na rua, vendedor tentando te empurrar qualquer produto por dez vezes o preco justo, enfim, um inferno, na minha opiniao. E nem a praia eh bonita, sabe. Nao aconselho. Alem de todos esses fatores que me estressaram, fiquei em um albergue podreira, tao podreira que nem tive coragem de tomar banho la, e nao consegui obter nenhuma informacao decente sobre como pegar onibus para ir para outros lugares. Todo mundo com quem falava (ate o funcionario do centro oficial de informacoes turisticas) queria me levar na sua moto, no seu carro, no onibus de um conhecido, cobrando, claro, absurdos valores.

Por causa disso tudo, acabei num onibus caro, mas que pelo menos me tirou daquele desespero e me trouxe para essa gracinha que eh Ubud. Claro que aqui tambem ha vendedores desesperados, lojas a dar com pau, motoristas completamente irresponsaveis, tudo isso. Mas o clima eh diferente. E por isso decidi ficar aqui a primeira semana inteira. Gracas a Cedric, um amigo frances que fiz e que tinha alugado uma moto, fiz varias viagens de um dia para os confins de Bali, onde praticamente nao encontrei turistas e consegui conversar com alguns simpaticos locais que falavam um pouco de ingles. Fui a diversos templos, cachoeiras, lagos e montanhas. Abaixo, vai um pouquinho do que vi nesse comeco de viagem pela Indonesia.

Poppies Lane II, uma das principais ruas de Kuta, eh dominada por motos, como quase a ilha toda

Oferenda usada em cerimonias hindus realizadas diariamente

Centro de Kuta, onde o caos toma conta

Especie de mercado publico de Kuta. Tambem caotico, mas tambem cheio de coisas bizarramente interessantes para ver e ouvir, mesmo sem entender

Entrada da principal praia de Kuta. Diferente e bonito ne!? Mas quando se chega na areia nao ha cristo que consiga ficar em paz com tantos vendedores, massagistas e outros profissionais oferecendo servicos

Sempre ha quem se renda a uma massagem por um preco razoavel na praia

Da agua para o vinho! O primeiro templo hindu que visitei nos arredores de Ubud era uma paz so. Ameeei

Eu, comecando a ficar feliz na Indonesia, depois de passado o choque cultural inicial

Os templos hindus sao uns mais bonitos que os outros, apesar de alguns serem muito mal conservados

Toda casa hindu em Bali tem um templo anexado. Eu, desavisada, cheguei a entrar em uma e dei de cara com uma familia que nao entendeu o que eu tava fazendo la

Olha o tipo das estradas onde eu e Cedric (na foto, na moto, claro) nos enfiamos. E a dor na bunda depois?

Plantacao de arroz nos arredores de Ubud

Trabalhando e conversando com a turista, apesar da minha cara de quem nao tava entendendo uma unica palavra

Eu e Cedric comemorando nossas aventuras com um tipico almoco balines (tudo frito, tudo misturado) em um warung (restaurante simplorio) de beira de estrada. Depois nao sei porque tenho dor de barriga, mas tava ooootimo

Continuem torcendo por mim, please. Porque a viagem continua e assim que possivel darei mais noticias por aqui. Beijos a todos os meus e saudades de todos os meus.

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