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Archive for fevereiro \27\UTC 2010

Agora eh que sao elas. Ou melhor, ela, so ela. Ou ainda melhor, eu, so eu. Depois de dar tchau para Camila e Marcos no aeroporto de Hobart, na Tasmania, sai caminhando sozinha e senti o peso de estar on my own. Meu coracao ficou apertado, meu corpo pareceu sair do chao e lagrimas rolaram. Nos primeiros segundos da primeira manha em que acordei sozinha no albergue onde estava hospedada, cheguei a procurar pela Camila. Logo me dei conta de que ela ja nao estava mais la. 

Claro que ainda sinto saudades dos dois, mas agora ja me acostumei com o fato de estar viajando so comigo mesma. E devo dizer que adoro! Faco o que quero, na hora que quero, como o que quero, na hora que quero, durmo onde quero, na  hora que quero. Eh libertador. E, no fim das contas, nem tao solitario assim. 

Desde que aquele fatidico dia no aeroporto de Hobart, ja fiz amizade com uma striper inglesa que estava indo trabalhar com o dedao do pe quebrado; um guia de turismo de Adelaide engracadissimo e queridissimo; um pai, uma mae e uma filha dinamarqueses que estao mochilando juntos pela Australia; uma inglesa de Londres que esta na estrada ha um ano; um ingles tambem de londres que tambem esta na estrada ha um ano; uma alema que terminou o ensino medio agora e esta viajando para decidir o que cursar na universidade (algo taaao comum entre europeus); um ucraniano que mora no Timor Leste porque esta participando de uma missao da ONU; um nepales que acabou de conseguir o visto de residente na Australia e esta feliz da vida por ter conseguido um emprego numa empresa de pesca que tira o couro dele; e tantos outros. 

Abaixo, vao alguns registros dessa nova etapa da minha viagem. 

Mesmo antes de Camila e Marcos irem embora, eu ja estava me preparando para meu voo solo

Na minha primeira noite sozinha, acionei meu eterno companheiro, Aureliano Buendia

No meu primeiro dia sozinha, tratei de me ocupar com coisas praticas. No meu caso, a versao de "lavar roupa todo dia, que agonia" foi "lavar roupa todo dia, me alivia"

Livros tem sido uma otima companhia nesta jornada solitaria. Acabei de comprar mais dois, so para garantir que nao vou ficar sem nenhum quando terminar o que estou lendo agora

Uma das primeiras paradas nesta nova etapa da viagem foi Coober Peedy, uma cidade de mineiradores. La, quase tudo eh embaixo da terra. Ate o albergue onde fiquei, essa portinhola que aparece na foto

Ao fundo, Kata Tjuta, lugar sagrado para os aborigenes no meio do deserto australiano, que nao eh exatamente deserto, eh uma regiao semi-arida

Lutando contra as moscas em Kata Tjuta. Sim, Camila, acabei comprando o maldito veu que se coloca ao redor da cabeca. As moscas sao insuportaveis no Outback, tentam entrar no nariz da gente, no olho da gente, na boca da gente, rrrrrrrr

Acampando ao ar livre, no meio do Outback. Adorei dormir olhando para as estrelas, apesar do medo da bicharada (especialmente dos dingos, que sao cachorros selvagens)

Sim, economizei agua

Eis o Uluru, chamado pelos ingleses de Ayres Rock, a pedra considerada sagrada pelos aborigenes. Estando la, da para entender o motivo de ela ser sagrada. O lugar eh especial mesmo, cheio de cavernas, reentrancias, texturas variadas

Uluru mais de perto

Um dos cantos magicos do Uluru

Grupo de ingleses e alemaes, sem o qual minha viagem pelo Outback nao teria sido tao divertida

Kings Canyon, outro lugar imperdivel para se ver no deserto australiano

E mais da minha propria companhia, que eh otima, por sinal. Hehehe

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Que falta que esses dois otimos companheiros de viagem estao fazendo na Australia, viu. Isso que nao faz nem quinze dias que nos despedimos. Vendo as fotos abaixo, voces vao entender o porque (com acento) ja estou com saudades.

Havaianas a postos para comemorar a chegada do sol, depois de dias seguidos de chuva, numa praia chamada Congo

E um dia ensolarado merece um bom banho de mar. Esse foi o primeiro mergulho do Marcos na Australia. Tinha que registrar

Em mais um dia chuvoso, nada como um cafe da manha gostoso. Neste, num parque nacional no litoral sul da Australia, encontramos com esses franceses engracados que nos deram dicas excelentes para a nossa viagem na Tasmania

Outro tipo de cafe da manha. Este foi em Depot Beach, onde dormimos rodeados por arvores, ondas e cangurus. E onde tivemos que brigar com um canguru por um saco de pao. Veja a historia no blog do Marcos – http://www.juntaroscacos.blogspot.com

E depois de comer, eh bom escovar os dentinhos, mesmo que seja no meio da floresta. Muito bem, meninos

Muito obrigada pela organizacao nos assuntos burocraticos, amigos. Sem isso, nenhuma viagem vai pra frente

E a van dos amigos refletia a integracao dos amigos. Calcinha minha, bone do Marcos e bermuda da Camila no canto

Ainda outra categoria de cafe da manha. Este foi em Melbourne. Sim, cafe da manha de cidade grande eh diferente. Cafe em vez de cha e torta salgada em vez de pao com mel

Mais comilanca em Melbourne. Almoco bom neste restaurante onde voce paga o quanto acha que deve pagar. Parece que eles estao enfrentando uma crise financeira por causa do modelo de negocio. Vamos torcer para que esse periodo dificil seja superado, ate porque eles contratam imigrantes dos mais variados paises e os ajudam a conseguir visto permanente na Australia

Descansada basica depois de horas de caminhada por Melbourne, a cidade mais europeia da Australia

Na Great Ocean road, onde ficam os 12 Apostolos, que sao essas pedras gigantescas ai atras. Esse foi um dos lugares mais bonitos que visitamos, certeza

Logico que temos milhares de outros momentos memoraveis registrados, mas sabe como eh aquele rolo de tres maquinas fotograficas juntas. Eu acabei ficando quase sem fotos da nossa viagem. Cobrem mais da Camila e Marcos. ; )

Agora, um espaco especial dedicado aos cangurus, que tambem foram nossos companheiros nesses inesqueciveis dias, estavam em tudo quanto eh lugar que a gente ia.

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Sim, este post eh sobre aS vanS porque houve mais de uma, mais de duas, mais de tres, alias, na viagem que eu, Marcos e Camila fizemos juntos. A primeira que pegamos foi em Sydney. Depois de um dia andando com ela, a bichinha comecou a ter dificuldade para ligar. Numa das vezes que estacionamos o veiculoja nao havia mais santo que fizesse aquele troco pegar no tranco. Mas foi, foi, foi que conseguimos fazer o motor funcionar – depois de quase afogar o carro, seja la o que isso signifique. Claro que ja fomos direto para a empresa e pedimos para mudar de van. Eles trocaram, nao muito felizes, mas trocaram.

A segunda van estava indo bem ate que comecou a dar um cheiro de queimado quando estavamos dirigindo no centro de Sydney. No momento em que estavamos parando o carro para ver o que estava acontecendo, uma mulher gritou da calcada “o carro de voces esta pegando fogo”. Descemos do carro na hora e em minutos a brigada de incencio ja estava em acao. O fogo foi pequeno, so na parte debaixo da van, mas mesmo assim fomos aconselhados a nao dirigi-la. Resultado: la vem um gincho, la vao os amigos para um albergue e la comeca uma briga com a Wicked, empresa de aluguel de vans.

A discussao foi tao intensa que, na manha seguinte, recebemos a terceira van na nossa porta. Desta vez, uma nova em folha, automatica, toda cheia de frescuras. E foi assim que viajamos de Sydney ate Melbourne, pegando chuva na maior parte do percurso, mas mesmo assim conhecendo lugares lindo e vendo milhares de cangurus.

Em Melboure, ficamos so no transporte publico, gracas a deus. E fomos hospedados pela queridissima Caru, amiga minha, da Camila e do meu pai. Ela foi eleita por nos a melhor anfitria ever. Nos levou para conhecer lugares bacanerrimos da cidade, deu dicas certeiras e, o mais importante de tudo, nos fez sentir muito em casa.

Bom, a quarta van nos pegamos em Hobart, na Tasmania. Apesar de nao ser nada chique, foi a melhor, na minha opiniao. Toda pintada de rosa, roxo e verde, tinha os seguintes dizeres na traseira: “Prefiro ser um pouco pesada, mas legal”. Amei. E ela nos proporcionou momentos memoraveis, na companhia de pessoas tambem memoraveis que encontramos pelo caminho. Mencao honrosa para os seguintes lugares: Wine Glass Bay, Hazards Beach, Coles Beach, Friendly Beaches, Salamanca Market (em Hobart). Mencao honrosa para as seguintes pessoas: Camila, Marcos, Thomas, Melody, os dois ultimos amigos franceses otimos que fizemos.

Agora, eu comecei minha jornada sozinha. Ainda to em Hobart, mas amanha vou para Adelaide e depois Alice Springs e Darwin. Na sequencia, voo para Bali e ai so deus sabe. Ate logoooo.

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Este eh um dos momentos mais felizes da minha vida. Poucas vezes me vi com uma calma interior tao grande, um calorzinho tao aconchegante no peito, uma musica tao alegre tocando na minha cabeca, um sentimento tao grande de completude.

E olha so a situacao: eu nao tenho emprego, casa, carro, televisao, praticamente nenhum bem material, guardo tudo o que possuo em uma mochila, ha dias nao tomo banho, ha dias visto a mesma calca rasgada e a mesma meia encardida, ha semanas durmo em um colchao fino dentro de uma van apertada com dois amigos, ha quase dois meses me alimento sem luxo, so uso banheiros publicos e tenho pouquissimo acesso a energia eletrica. Tudo muito diferente da realidade dentro da qual sempre estive inserida.

De onde, entao, vem tamanha felicidade? Da natureza abundante que me circunda, das pessoas especiais com quem convivo, das caminhadas que faco, das risadas que dou? Nao sei. Ainda nao sei exatamente onde buscar felicidade. Mas agora ja sei onde nao buscar.

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