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Archive for janeiro \30\UTC 2010

Eis que a segunda parte da minha viagem pela Australia esta acabando. Nesse trecho (Byron Bay a Sydney, onde chegaremos amanha), eu e Camila viajamos de carona. Sim, cuidamos bastante e demos muita sorte. So encontramos pessoas boas pelo caminho e so acabamos em lugares incriveis. Nossa primeira carona foi com o Carl, que nos levou de Byron a Ballina. Honra ne!?

Nossa primeira carona de um desconhecido foi dada por uma mae que estava indo de carro para Melbourne com as duas filhas e o cachorro. Estava se mudando para la, na verdade. Ate nos deu um telefone de contato para o caso de precisarmos de alguma coisa la. Depois, veio um sul africano que mora na Australia ha milenios e conversou com a gente sobre a experiencia dele durante o apartheid. Na sequencia, um casal de australianos de meia idade. O marido nos encontrou na estrada uma segunda vez e parou para dar uma segunda carona. Tudo isso nos arredores de Yamba, onde ficamos num albergue YHA que nem era muito bombado, uma raridade.

Na ida para Coffs Harbour, encontramos Jarrod, um australiano que faz manutencao de computadores em escolas. Esse caroneiro acabou virando um companheiro de viagem. Ficamos no mesmo camping que ele em Sawtell, uma praia linda a beira de um rio. E o figura ainda foi fazer uma caminhada conosco em Nambucca Heads, a parada seguinte.

Nambucca, alias, foi uma surpresa. Nao esperavamos nada e achamos tudo. A comecar pelo camping, onde tivemos uma cabine so para nos duas e bicicletas emprestadas para passearmos pela cidade. Camila se empolgou com a pequena cozinha e fez ate galinha ensopada com macarrao, um dos meus pratos favoritos. Eu me empolguei com a bike e fomos pra cima e pra baixo pedalando. O lugar ainda tinha praias lindas e vazias, um lago gigantesco e um calcadao onde as pedras sao pintadas com recados de pessoas que ja passaram por ali. Eu e Camila ficamos devendo nosso recadinho porque nao tinhamos tinta. Mas os elogios a Nambucca ficaram gravados no coracao.

De Nambucca Heads, partimos para Port Macquarie, onde ficamos hospedadas na casa dos queridissimos Stodge e Annie, amigos do Carl. Para chegar ate la, pegamos carona com um australiano de sotaque forte e lingua solta. Falou, falou, falou. Nao parava de falar nem pra respirar direito. Ficamos sabendo que ele tem problemas com a namorada, ja morou nos mais diversos lugares da Australia e faz de um tudo para viver (de compor musicas a fazer bijuterias).

Em Port Macquarie, pelo menos por tres dias, voltamos a ter uma vida de casa, lavando roupa, tendo jantares gostosos e assistindo TV de noite. Alem disso, tivemos a sorte de conhecer uma casa que o Stodge tem no meio da floresta. O Carl ja teve uma casa la tambem, na epoca em que havia uma comunidade hippie no lugar. Gente, abencoado o cantinho para onde o Stodge foge toda semana. Casa confortavel cercada de natureza por todos os lados (com direito a um rio onde tomamos banho).

Depois disso, fomos para Forster, sendo levadas por um pregador que nos contou como Deus o chamou para esse “emprego”, como eh a vida dele trabalhando com diversas igrejas, como ajuda as pessoas com quem conversa. No final, ele nos deixou na frente do lugar onde ficariamos hospedadas, nos abencoou com uma reza e saiu buzinando e dando tchau.

Passada essa parte religiosa, viemos para onde estamos agora: Port Stephens, mais especificamente Anna Bay e One Mile Beach. Chegamos aqui trazidas por um ex-jogador de rugby chamado Aidan. O menino, de 25 anos, parou de jogar de tanto que se machucou. Hoje em dia, trabalha com sistemas de seguranca de bancos. Estava aqui fazendo um servico e foi muito legal dando carona para as amigas. Ate chegar ao albergue de onde escrevo, ainda pegamos outras duas caronas. A primeira foi com um tiozao que disse saber exatamente o que eh ficar parado horas na beira da estrada esperando por uma boa alma. A segunda foi com uma instrutora de surfe viajada que nos contou  dar carona na esperanca de que, quando ela estiver na mesma situacao no exterior, alguem tambem a ajude.

Nesse lugar, estamos hospedadas num albergue/camping, um lugar lindo, cheio de arvores e bichos. Tem ate um canguru que mora aqui. Eh uma bebe que encanta todos os hospedes. Eu e a Camila ficamos impressionadas quando noite passada vimos que a bichinha estava dormindo o tempo todo do lado de fora da nossa barraca. De manha, descobrimos a razao. Tinhamos deixado roupas molhadas de agua do mar para secar do lado de fora. Josephine, a filhote de canguru, achou os tecidos de um vestido meu e de uma canga da Camila tao salgadinhos que comeu boa parte deles. Nao fiquei com raiva da Josy. Afinal, perdi um vestido, mas ganhei uma historia.

Bom, amanha vamos sair daqui e rumar para Sydney, onde ficaremos a primeira noite na casa de uma amiga da Parissa e depois pegaremos uma nova van que alugamos. No nosso segundo dia la, ja vamos pegar nosso amigo Caco no aeroporto. E ai a festanca (e terceira parte da viagem) vai comecar. Aguardem pelas cenas dos proximos capitulos. Ate!

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Gente, Camila e eu chegamos de volta a Byron Bay depois de dez dias de aventuras por essa Australia afora. A bordo da van das amigas, fomos a praias, lagos, montanhas, florestas, ilhas e pequenas cidades no interior. O roteiro incluiu Cabarita Beach, Spring Brook National Park, Kingscliff, Brisbane, Bribie Island, Caloundra, Mooloolabah, Kin Kin, Rainbow Beach, Fraser Island, Noosa, Glass House Mountains, Maroochydore, Tin Can Bay e outros lugares que nao lembro o nome agora. Fraser Island e Noosa merecem os premios de melhores lugares da viagem. Byron nao concorre, claro, porque esta acima de qualquer outra coisa. Ah, mencao honrosa tambem para a van das amigas, que nos abrigou em locais dos mais diversos. Dormimos dentro de um parque nacional, no topo de uma montanha, na beira de varias praias (para mim, nao ha melhor sonifero que o barulho do mar), em estacionamentos comuns e ate em um estacionamento especifico para vans, onde, por lei, deveriamos ter ficado todas as noites. Mas ninguem faz isso aqui. E a gente nao tem dinheiro para ficar pagando hotel para carro o tempo todo. Alem disso, as amigas foram bem responsaveis (essa eh para os pais) e tomaram bastante cuidado para sempre parar perto de outras coleguinhas vans. Ai vao algumas fotos para voces terem uma minima nocao do quanto nos nos divertimos.

Saindo de Byron

Na primeira parada, em Cabarita Beach, Aureliano, meu querido bicho de pelucia que tem me acompanhado desde que sai do Brasil, ja saiu para passear

Passar por tras de uma cachoeira depois de uma megatrilha no parque nacional Springbrook nao tem preco

Descansando os pes exaustos de acelerar, frear e pisar na embreagem. Vida duuura

Cada um com o seu conceito de diversao. E viva a inclusao social!

Mergulhando no pote de sorvete na hora do almoco. Mas depois as amigas compensaram. Vejam abaixo

Habemus macas

Mais um lanchinho saudavel (viu, mae)

"Ai, bota aqui, ai, bota aqui o seu pezinho"

Entediadas de noite na van

Gracas as caminhadas matinais da Camila, as amigas viram um coala na natureza, bem de pertinho. E o bicho foi gente boa. Dormiu, acordou, se espreguicou, bocejou, andou na arvore, fez barulhos estranhos, deu um show

Relaxando em Kin Kin, cidadezinha do interior australiano, uma gracinha

Almoco em Tin Can Bay, um dos meus lugares favoritos e onde encontramos uma senhora queridissima que ja foi ao Brasil e adora brasileiros

A nova loira do tchan eh linda, deixa ela entrar, eh linda, deixa ela entrar, eh linda... porque a Camila nao para nunca mais de ficar loira com o sol

Fraser Island, top top desta parte da viagem. Olha a cor da agua deste lago

Tambem em Fraser Island, descendo o rio ao ritmo da correnteza

E aguardem que vem mais por ai. A producao anda caprichando nas externas. Amanha comecamos mais uma maratona de viagens. Desta vez, vamos em direcao ao sul. E logo encontramos Caco, nosso amigo amado e tao espero. Chega logoooo. Ate mais, povo.

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Gente, so um pulinho no cybercafe para postar umas noticias sobre a viagem. A van, da qual logo vira uma foto (sim, silveira, aquela da bike foi so para ilustrar), foi rebatizada. O nome Marlene supernao pegou. Virou “A van das amigas” porque eu e camila nao conseguimos nunca mais parar de chamar uma a outra de amiga. “Amiga, a amiga vai la fazer o almoco, ta?”, diz uma. “Ta, ainda bem que a amiga tem a amiga senao a amiga ia morrer de fome”, responde a outra.

A coitada era meio suja quando a pegamos com Steve, o vizinho que nos alugou o automovel. Mas, como Camila bem disse, nos duas, tomadas pelos espiritos das nossas maes, dona Licia (mae da Camila) e Margaret (minha mae) demos um jeito na falta de higiene. Com sabao, detergente, desinfetante e uma mangueira fomos para dentro da van e mandamos ver. Esfregamos, passamos pano e ate arrancamos uma camada de esponja colada no chao. Isso porque a coisa tava podre e fazendo nossa querida casa movel feder que so.

Feita a limpeza, partimos. Na primeira noite, paramos em uma praia chamada Cabarita Beach. Ela foi escolhida meio do nada. Vimos a placa, gostamos do nome, demos uma olhada na praia, achamos legal e resolvemos ficar. E nao houve arrependimento. Quando acordamos pela manha, tomamos um banho de  mar incrivel e fizemos uma caminhada para ver a praia inteira de cima de uma montanha. Fotos pra seeeempre. Logo coloco.

No dia seguinte, fomos para o Springbrook National Park, que eu ja tinha visitado, mas queria levar a Camila porque achava a cara dela. Claro que ela amou. Trilha de duas horas, cachoeiras, bichos pra todo lado. Eu tambem curti, claro.

Depois disso, rumamos para Brisbane, onde nos demos mais conta ainda que nos desacostumamos com a cidade. Perdidinhas da Silva nos ficamos. Ja vamos cair fora agora pra procurar mais praias pelo caminho. O que sera que nos espera? So Deus sabe, meu povo. Aguardem e verao! Beijos.

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Aquele da viagem

Comecou! Eu e Camila estamos deixando Byron Bay neste momento para comecar nossa viagem pela Australia. Vamos a bordo da nossa van batizada de Marlene. Nesta primeira parte, vamos rumo ao norte, parando em lugares que acharmos interessantes ate chegarmos em Rainbow Beach. Depois, voltamos para Byron e descemos o pais ate alcancarmos Sydney, onde iremos encontrar o queridissimo e esperadissimo Marcos. De la, viajaremos para Melbourne, Tasmania, Adelaide e muito mais. Vou contando mais sobre a nossa aventura aos poucos. Desejem-nos boa sorte!

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Como previsto, 2009 foi um ano de mudancas. Para mim, elas foram muito intensas. Pedi demissao do meu emprego, no qual estava ha quase quatro anos. Mudei para a Australia, mais especificamente para Byron Bay, uma cidadezinha de 10 mil habitantes, temperada com um gostinho hippie. Aprendi de vez a falar ingles, estudando para os exames de Cambridge e Ielts, sendo uma boa e uma ma aluna, adorando e ficando muito de saco cheio da escola, fazendo amizades com uns e sendo reservada com outros, lendo milhares de livros, vendo uma porrada de filmes, ficando viciada em series de TV sobre crimes. Tive apendicite do outro lado do mundo, fui operada, peguei uma infeccao hospitalar, fiz um doloroso tratamento de dois meses, me recuperei e ganhei novas cicatrizes, tanto externas quanto internas. Conheci meus anjos da guarda Carl e Parissa, que me deram casa, comida (deliciosa, com mencao especial para os curries do Carl e os assados da Parissa), roupa lavada, ombros, abracos, amor e ensinamentos sem fim. Encontrei varias outras pessoas especiais como Pixie, Fernanda, Nick, Carlos, Bruno, Svenja, Andrina, Michelle, Diego, Yolanda, Bita, Diana e Michella. Tive de lidar com a saudade daqueles que amo e estao longe (e olha que a lista nao eh pequena, incluindo meu pai e minha mae, minha familia toda e meus amigos de Sao Paulo, Rio e Floripa). Trabalhei em uma fabrica de bolachas, usando toca e empacotando cookies para sempre. Apresentei um programa sobre musica latina na radio comunitaria Bay FM durante seis meses. Fui contratada como garconete em um restaurante asiatico e acabei sendo subgerente e ate gerente por uma semana (sim, Thiago, fechando o caixa e tudo). Dei aulas de ballet para criancas de quatro a 12 anos em Mullumbimby, onde elas fizeram uma fofa apresentacao de fim de ano. Virei uma mergulhadora de carteirinha e uma eximia ciclista, ja que bicicleta foi meu principal meio de transporte por aqui. Chorei de solidao voltando para casa de noite na minha bike. Me apaixonei por baladas de salsa. Abandonei a passagem que tinha para voltar para o Brasil. Comprei um ticket barato saindo de Kuala Lumpur (Malasia) e indo Buenos Aires (Argentina) so no proximo mes de junho. Decidi viajar por cinco meses por Australia, Indonesia, Malasia e Tailandia. Depois de tudo isso, nao podia continuar sendo a mesma pessoa. Claro que, como diz o cliche, a essencia nao muda. Mas mudancas internas ocorreram. Acho que me tornei mais tolerante, mais plural, mais aberta, mais calma e, acima de tudo, mais forte. Me aguarde, 2010!

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