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Archive for junho \30\UTC 2009

Aquele da saudade

Dizem que “saudade” eh a palavra mais bonita da lingua portuguesa. Dizem que nenhum outro idioma possui um vocabulo correspondente. Dizem que em ingles pode-se expressar esse tipo de sentimento com frases como “I miss you” (“Sinto falta de voce”) ou “I’m homesick” (“Estou com saudades de casa, da minha terra, da minha gente). Dizem que essa eh uma das maiores dores da alma. Dizem que passa, como tudo na vida. Assim espero.

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Hoje faz tres meses que estou morando em Byron Bay. A primeira vista, a cidade pareceu hippie demais para o meu gosto, cheia de pessoas descalcas no supermercado, de lojas que fecham as cinco da tarde, de propagandas de produtos organicos. Apos quatro anos de Sao Paulo, nao achei que fosse me acostumar com esse ritmo de vida. Mas aqui estou, acostumada e apaixonada. Nao ando descalca porque nao gosto de sujar o pe e tenho medo de me machucar. Mas vou as lojas que preciso antes das cinco e prefiro comidas organicas as cultivadas com agrotoxicos.

Alem disso, ja posso dizer que tenho uma historia aqui. Cheguei perdida; arrumei uma amorosa familia postica; fiz amigos queridos; procurei emprego em mais de 30 lugares e consegui um bico em uma fabrica de bolachas; melhorei meu ingles; dei aula de samba para um grupo de gringos sem nenhuma ginga, mas com muita vontade; toquei percussao em uma festa de musicos; participei de um programa de radio sobre musica latina falando em ingles e portugues; li 11 livros em ingles e um so em portugues; fui apresentada por Carl e Parissa a uma montanha de novos musicos; nao descolei nenhum cacho (eh muita incompetencia ne!? se fosse a minha vo, ja tinha tres); tive apendicite, fiz uma operacao, peguei uma infeccao no hospital, frequentei uma clinica diariamente por quase dois meses para trata-la e me recuperei; chorei de saudades, de comocao com a bondade de tantas pessoas, de pena de mim por ter tido tanto azar com a minha saude, de felicidade quando me contaram que nao precisaria mais drenar a infeccao todos os dias; ri de tamanha a desgraca, de piadas que nao entendia, de piadas que passei a entender, de coisas estranhas que falo em ingles (como a resposta a pergunta “aren’t you drinking today?”: “no, just juicing”); e tantas cositas mas.

Obrigada a todos do Brasil, da Australia, da Belgica, do Mexico, da Suica, da Alemanha, da Espanha, de Taiwan, do Japao e de varios outros paises que de algum jeito estao me apoiando nessa experiencia.

E o que sera que vai acontecer nos proximos meses que ainda tenho por aqui?

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Ha umas duas semanas, aluguei um carro com tres amigas – Andrina, Michelle and Svenja – e me joguei para Woodford, uma cidade ha quatro horas daqui que abriga anualmente o The Dreaming Festival, um festival de cultura aborigene. A viagem foi uma belezura. A comecar pela aventura de dirigir pela primeira vez um carro automatico do lado esquerdo da rua. Inevitavel entrar na contramao e passar por cima das tartarugas que separam a pista do acostamento o tempo todo. Mas todo o risco (e diversao tambem) valeu a pena por causa shows, das apresentacoes de danca, das exposicoes e dos worshops de artesanado de cultura de aborigene (indigena) de varios lugares do mundo. Ai vai uma amostra de tudo o que vi.

aborigene-danca-festival
mulheres-aborigenes-dancam-festival

aborigene-ensina-artesanato

pintura-aborigene

grupo-percussao
menino-percussionista
palco-lago-festival-aborigene
anita-chapeu-estranho

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Hoje a escola parece vazia, apesar de cheia de gente. Chego e nao vejo Michelle, Andrina, Svenja, Alba, Alex, Diego from Brazil, Diego from Spain, Thiago, Toby, Jeff, Chantal, Borja, Go e todos os outros colegas que fizeram o curso preparatorio para a prova de Cambridge. O encerramento foi na sexta-feira (12), com direito a cerimonia de graduacao, discurso da professora sobre cada aluno, discurso de cada aluno sobre suas experiencias, salva de palmas para as conquistas e superacoes de todos. De noite, churrasco na escola, banda formada por estudantes, sangria feita por espanhois, balada no Beach Hotel, balada no Cheeky Monkey’s, danca em cima da mesa, colo para os mais bebados.

Em meio a essa coisa toda, meus pensamentos eram “pena que acabou e todos vao embora, mas nem vou sentir tanto porque nao fiz grandes amigos” e “depois que se tem amigos como os que eu tenho no Brasil, nao eh assim facil para se abalar”. Hoje, sem a presenca dos amigos nao tao amigos, a visao eh outra. Entro na nova sala de aula, reconheco todos os rostos, mas nenhum coracao. Saudades.

Almoco internacional na casa do paulista Thiago

Almoco internacional na casa do paulista Thiago

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Aquele da touca

Atendendo a pedidos… eu na fabrica.

Esse eh o corredor de entrada da fabrica. Eh onde, no inicio da jornada, colocamos uma touca branca, uma camiseta com o logo da fabrica e um avental e, na sequencia, lavamos as maos, seguindo os oitos passos desenhados em um papel colado na parede. Atras de mim e dos plasticos desgracados que temos de lavar todo dia (eu agora nao porque sou uma funcionaria cafe com leite), ficam bandejas cheias de cookies quentinhos, que sao esfriados por ventiladores gigantes. Assim que estao frios, comecam a ser empacotados por mim e pela galera que aparece na foto de baixo

Esse eh o corredor de entrada da fabrica. Eh onde, no inicio da jornada, colocamos uma touca branca, uma camiseta com o logo da fabrica e um avental e, na sequencia, lavamos as maos, seguindo os oitos passos desenhados em um papel colado na parede. Atras de mim e dos plasticos desgracados que temos de lavar todo dia (eu agora nao porque sou uma funcionaria cafe com leite), ficam bandejas cheias de cookies quentinhos, que sao esfriados por ventiladores gigantes. Assim que estao frios, comecam a ser empacotados por mim e pela galera que aparece na foto de baixo

Eis alguns dos meus colegas de trabalho. Da esquerda para a direita, x (nao lembro o nome, mas sei que ele eh israelense e tem uma esposa que cozinha maravilhosamente bem), Maria (filipina que mora com o marido na Australia e tem um filho pequeno), Aricia (brasileira de 19 anos que estuda na escola), euzinha, y (nao lembro o nome, mas sei que ela eh indiana e de vez em quando da uns chiliques quando alguem comete um erro no trabalho) e Felipe (brasileiro, de Sao Paulo, tambem aluno da escola de ingles, que quer fazer a vida por esses lados do mundo)

Eis alguns dos meus colegas de trabalho. Da esquerda para a direita, x (nao lembro o nome, mas sei que ele eh israelense e tem uma esposa que cozinha maravilhosamente bem), Maria (filipina que mora com o marido na Australia e tem um filho pequeno), Aricia (brasileira de 19 anos que estuda na escola), euzinha, y (nao lembro o nome, mas sei que ela eh indiana e de vez em quando da uns chiliques quando alguem comete um erro no trabalho) e Felipe (brasileiro, de Sao Paulo, que quer fazer a vida por esses lados do mundo)

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