No ônibus
O motorista conversa animadamente com um senhor sentado na parte da frente do veículo quando avista um semáforo cheio de cabos eleitorais balançando bandeiras de candidatos e grita: “Olha ali ó, seu fulano. O senhor vota em algum desses aí?”. Sem deixar o idoso responder, dispara: “Eu não dou meu voto pra nenhum desses vagabundos aí não. Vou votar no PT. Na Ideli, na dona Dilma”.
Enquanto isso, no último banco, duas amigas batem papo. “Não acredito que você vai votar na Dilma”, diz uma. “Claro. Ela vai continuar o que o Lula tá fazendo e eu acho que ele tá fazendo direito”, responde a outra. A uma volta a argumentar: “Mas o Serra é muito mais confiável e no governo do Lula eles roubaram tanto”. A outra, já se levantando para descer do ônibus, retruca e se despede: “Todos roubam, amiga, todos. Tchau, querida, até amanhã”.
Em encontros de família
Em um almoço, tios, tias, primos e a avó discutem civilizadamente seus votos e fazem piadas uns dos outros. “Eu queria votar na Marina, mas cada vez que a vejo falando me decepciono. Acho que ela não está preparada e mistura muito religião com política.” “Ah, eu vou no Serra por causa dessa robalheira que foi o governo Lula.” “Eu acho que se a Dilma ganhar, o Brasil vai virar uma Venezuela. Qual é a cor do PT? Vermelho. Qual é a cor do Chávez? Vermelho.” “Hahahahaha.” “Eu tenho medo de que a Dilma ganhe.” “Sai daí, ô Regina Duarte.”
E aí sempre tem aquele que não sabe debater e parte para a agressão verbal. “Tu vais votar na Dilma? Sua bitolada, tu não sabes nada. Eu é que vivi a vida toda na política.” “Opa, me desculpa, mas se você não sabe discutir, eu não sou discutir. Com licença.” Melhor sair que criar encrenca.
Numa janta, rola o tema “voto para senador”. “Tá difícil aqui em Santa Catarina.” “Ah, tem a Beth, ‘A Beth da família’. Hahahahaha.” “Tem um do PSTU, um rastafári, maconheiro, que diz que vai estatizar tudo.” “Tem o Vignatti.” “Ah, não, o Vignatti não dá, é muito mala com aquele monte de emails que ele manda.” “Então acho que vou anular.”
Independente do que o povo discute, pelo menos discute.
Pena que a decisão final seja comprada…