Hoje de manhã uma gralha azul veio me visitar. Pousou no muro do vizinho e, azul, azul, ficou se exibindo para quem quisesse olhar. Um tempo depois, já cansada dos meus olhares encantados, me esnobou e voou para uma árvore do outro lado da servidão.
Na hora do almoço, contei para meu pai e minha mãe que os aracuãs que vivem por aqui se instalaram no pé de araçá que fica do lado do meu quarto e do porão. “Bem espertos eles, estão só esperando os frutos crescerem”, comentei. Minha mãe completou dizendo que os aracuãs andam é em disputa territorial com as gralhas azuis. Disso eu já não sei.
De tarde, no intervalo entre uma matéria e outra, fui me alongar olhando para o mar e fiquei observando o pé de limão, onde havia pássaros bem pequeninhos. Vi um verde e um amarelo, tão bonitinhos.
Mais tarde, enquanto trabalhava, ouvi o som do que parecia ser alguém batendo com uma caneta numa mesa. Virei na direção da janela e, pelo vidro, vi um pica-pau bicando um dos galhos do araçazeiro, completamente alheio à minha surpresa.
Não é todo dia que todos eles dão o ar da graça, mas algum sempre se ouve e algum também sempre se vê através da vidraça.
