Era domingo de manhã e o centro de Florianópolis estava vazio. O ônibus em que eu me encontrava estava parado no terminal, quase saindo em direção ao Sambaqui. Eu havia acabado de sentar em um daqueles bancos altos, perto da porta traseira, e lia.
De repente, ouço um zumzumzum na parte da frente do veículo. É uma mulher de uns 50 anos, com uma mochila nas costas e um mapa nas mãos, fazendo perguntas em inglês para o motorista. O condutor nem tenta colaborar, logo aponta para o cobrador, que não entende nada, mas vê o que a viajante está apontando no papel e começa a responder, em português, que o ônibus para a Lagoa da Conceição “fica ali atrás”. A senhora faz uma cara de confusa e continua perguntando.
E então, como numa volta no tempo, me vejo nela, perdida em um país onde poucas pessoas falam inglês e precisando de ajuda para me localizar. Rapidamente, pulo do assento e grito “podexá que eu falo com ela”. Enquanto o motorista começa a acelerar para fazer uma pressão e evitar atraso, descubro para onde ela quer ir: Joaquina e Praia Mole. Ixi, coitada, transporte público para esses lugares no domingo é coisa rara!
Ainda assim, dou as indicações, mas alerto que “demora, viu”. Mostrando os nomes no mapa, digo para ela pegar o ônibus x, estacionado atrás de nós, parar no terminal y, que é igual a esse, e só então pegar o ônibus que vai para um dos locais que ela pretende conhecer. Nisso, ela agradece muito muito, até em português, e desce. “Boa sorte”, ainda consigo dizer. E assim a vejo em mim, no país dela, orientando viajantes perdidos.
Ela era você ontem. Mas também pode ser você amanhã, né?
Uma bela crônica de domingo.
Margaret