Por Thiago Lyra
Esses dias Letícia veio a mim dizendo que havia encontrado um apartamento perfeito (ela tá procurando um, pra morar com Naiara), que tinha 109 metros quadrados, ficava na Cardeal “mas era tranquilo porque era de fundos” e num predinho até que honesto. Só tinha um probleminha: a corretora havia dito que os vizinhos anteriores tinham tido uma coisinha com a vizinha de baixo… que é sindica (foi promovida!). Ah, essa tava fácil né gente?
— Por acaso o prédio se chamava Jardim do Éden?
— É, uai! (ela é mineira)
— E o apartamento era o 92?
— É… ocê conhece?
— Menina, corra enquanto é tempo! Ali embaixo reside a Dona Meire, personagem das primeiras temporadas que insiste em ser mencionada.
— A gente tava até pensando que poderia conquistar essa tal vizinha de baixo, que no fundo ela só queria ser amada. A gente levaria bolo, presentinhos e levaria no bico.
— Minha filha, até flores eu dei pra aquela desgraçada! Quando eu penso nos reais que gastei naquelas ramas!
Enfim, contei pra ela no gênero “lembra da vizinha chata que foi a razão-mor de eu ter saído do meu prédio? Pois então era ela”. Inacreditável a coincidência, né?
Mas enfim, o fato é que o vizinho anterior não era eu. O casal que morou lá após eu e Anita também teve problemas com a louca! O que, aliás, nao é de se espantar.
Letícia e Naiara, claro e sabiamente, recusaram a oferta. E comentaram as razões, que me conheciam e tal. “É, a gente sabe que ela é bem dificil mesmo, e está inclusive atrapalhando novos aluguéis por conta disso…”, disse a corretora. Mas eis que liga a corretora pra ela hoje de manhã (a história não acaba nunca, né?) de novo:
— Oi Letícia, então, a gente falou com a vizinha de baixo. Ela disse que a coisa não é pra tanto, que se você quiser pode ir lá se apresentar a ela, conhecê-la… que teme que as pessoas estejam fazendo uma ideia de “intransigente” de sua pessoa, mas que não é assim!
Não quis comentar sobre os vizinhos anteriores, mas “o Thiago, sim, fazia muita festa”.
Quem não te conhece que te compre. Abre o olho, japonesa!
Que morra amarga e sozinha, isolada na sua bolha asséptica de carpete vermelho e com os cabelos caindo.
Genteeeeeeeeeeemmmmm!
Falei com a Naiara que a gente até fecha o negócio se puder colocar uma cláusula no contrato: em caso de vizinha louca, veneno e quedas do 8º andar estão liberados. rá! adorei.
Aqui na Guarda tem uma Madame Mim dessas aí, rancorosa, recalcada e de nariz alongado. Essa ai de SP deve ter uma verruga na ponta do nasal.
Nasal alongado e, pelo que soube, com orelhas enormes…
Relendo assim, dá impressão de tanto ódio no meu coraçãozinho, né? Mas só a gente sabe a cruz que carregamos. Ali é osso!