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Acordei e vi que nao tinha mais “nescau” no armario. Mas queria muito leite com chocolate pra jogar em cima dos sucrilhos. Solucao: coloquei uma colherada generosa de nutella na xicara de leite, botei no microondas para derreter, mexi e corri para o abraco. Dica: tentem fazer isso em casa.

Uma das perguntas que eu mais ouco aqui na Australia eh “de onde voce eh?”. No restaurante onde trabalho, a frase eh quase tao popular quanto ”voce pode me trazer agua, por favor?”. As pessoas ficam curiosas quando comeco a falar e soo diferente.

Depois de responder algumas vezes “do Brasil”, passei a retrucar dizendo “quer tentar adivinhar?”. E foi ai que comecei a me divertir. O povo tem cada ideia que vou te contar, viu.

No topo da lista das cinco nacionalidades mais comuns esta francesa. Reza a lenda que eh por causa do meu rosto redondo e do meu cabelo liso. Ah tah. Em segundo lugar, vem russa (ou polonesa, ou ucraniana, coisas assim). So em terceiro, aparece brasileira. Agora sim, muito obrigada. Na quarta colocao, vem espanhola. Na quinta, portuguesa.

E tem ainda as respostas bizarras, que sao as melhores. Sueca, suica, holandesa, grega, canandense (da parte que fala ingles, que chique) e italiana sao algumas das mais estranhas.

Eu, particularmente, acho obvio que sou do Brasil. Nao concordam?

Era uma sexta-feira a noite e eu estava fechando o restaurante onde trabalho quando um dos meninos da cozinha veio correndo da rua e falando rapido.

- Nick: Anita, voce ta de bicicleta hoje?
- Anita: To, porque?
- Nick: Acho que tem um cara roubando a tua bike la fora.

Na mesma hora, a gurizada toda do trabalho saiu porta afora. E eu fui atras. O gerente tirou a camisa, como se uma batalha estivesse por vir. Eu joguei o pano de prato na calcada. Geral comecou a gritar palavroes e xingamentos. Era um tal de “You, bloody bastard, stop” para ca e “Hey, motherfucker” para la. Mas o cara ja estava pedalando a toda velocidade e nao conseguimos o alcancar.

De volta ao restaurante, o gerente se deu conta de que a bicicleta dele tambem tinha sido levada. A diferenca eh que a dele custou 600 dolares e a minha 60 (alem disso, no dia seguinte ele ja tinha encomendado outra igual e eu to ate agora andando com uma emprestada).

Ainda assim, a dor da perda foi grande. Apesar de nao conter marchas, de fazer um barulhao danado a cada pedalada e de ter uma correia que caia todo dia, minha bike roxinha com cestinha na frente era especial. Tudo o que sobrou dela foi o capacete branco com amarelo, rosa e verde fluorescente. Um minuto de silencio, por favor.

Nota pe (piada interna para jornalistas): ate o momento, o veiculo nao foi encontrado pela policia de Byron Bay.

Cape Tribulation, uma das unicas praias da Australia onde a floresta termina exatamente na areia. Parece a ilha de "Lost", nao?

Cape Tribulation, uma das unicas praias da Australia onde a floresta termina exatamente na areia. Parece a ilha de "Lost", nao?

Areia brilhante de Cape Tribulation

Areia brilhante de Cape Tribulation

Tente achar o crocodilo no Dantree River. Dica: ele esta com a cabeca no sol

Tente achar o crocodilo no Dantree River. Dica: ele esta com a cabeca no sol

Kuranda, vila rodeada por uma linda floresta tropical

Estacao de trem de Kuranda, vila cercada por uma linda floresta tropical

Como em Cairns, a quantidade de aborigenes pelas ruas (muitos morando nas ruas) eh grande

Como em Cairns, a quantidade de aborigenes pelas ruas de Kuranda (muitos morando nas ruas) eh grande

Se for para Kuranda, nao deixe de fazer a trilha pelo meio da floresta. Adoro as trilhas australianas, gente. Quase todas com deques para proteger o solo e as minhas perninhas consequentemente

Se for para Kuranda, nao deixe de fazer a trilha pelo meio da floresta. Adoro as trilhas australianas, gente. Quase todas com deques para proteger o solo e as minhas perninhas consequentemente

Essa eh so uma das varias casas fofas e convidativas que encontrei no meio da floresta de Kuranda

Essa eh so uma das varias casas fofas e convidativas que encontrei no meio da floresta de Kuranda

Barron Falls

Barron Falls

Detalhe da Barron Falls. Isso eh em epoca de seca. Quando enche, fica inacreditavelmente imponente (vi fotos)

Detalhe da Barron Falls. Isso eh em epoca de seca. Quando enche, a cachoeira fica inacreditavelmente imponente (vi fotos)

Me despedindo de Kuranda. Mochileiro duro vai "de a pe" mesmo

Me despedindo de Kuranda. Mochileiro duro vai "de a pe" mesmo

Vista do meu quarto no International Backpackers, otimo, por sinal. O que se ve eh a orla de Cairns, chamada de Esplanade. Esse eh o melhor pra ficar em Cairns porque eh perto de tudo

Vista do meu quarto no International Backpackers, otimo, por sinal. O que se ve eh a orla de Cairns, chamada de Esplanade. Esse eh o melhor pra ficar em Cairns porque eh perto de tudo

 

Na Esplanade, fica a Cairns Lagoon, que eh um piscinao, na verdade. Mas todo mundo na cidade adora

Na Esplanade, fica a Cairns Lagoon, que eh um piscinao, na verdade. Mas todo mundo adora

 

A criancada se diverte nadando na Lagoon. Nas praias de Cairns, nao eh possivel fazer isso por causa dos crocodilos de agua salgada

A criancada se diverte nadando na Lagoon. Nas praias de Cairns, nao eh possivel fazer isso por causa dos crocodilos de agua salgada

 

Para os adultos, a maior atracao eh o gramado, ideal para tirar uma soneca ou pegar sol

Para os adultos, a maior atracao eh o gramado, ideal para tirar uma soneca ou pegar sol

 

Shows e feirinhas tambem rolam nesse mesmo lugar

Shows e feirinhas de artesanato tambem rolam nesse mesmo lugar

 

A presenca de aborigenes eh muito mais intensa em Cairns do que aqui em Byron. Essa foi uma diferenca grande que me chamou a atencao

A presenca de aborigenes eh muito mais intensa em Cairns do que aqui em Byron. Essa foi uma diferenca grande que me chamou a atencao

 

Galeria regional de arte de Cairns

Galeria regional de arte de Cairns

 

Livraria da cidade, que tem um jardim delicioso pra sentar, ler e fazer um lanche

Biblioteca da cidade, que tem um jardim delicioso pra sentar, ler e fazer um lanche

Intervalo entre um mergulho e outro

Intervalo entre um mergulho e outro

 

Vendo os outros mergulharem

Vendo os outros mergulharem

 

Ainda observando

Ainda observando

 

Por do sol em alto mar

Por do sol em alto mar

 

Janta no restaurante do barco. Mergulhar da um fome, viu. Era um tal de sopa com pao pra comecar e depois um pratao com batata, macarrao, milho, salada, carne. E ainda tinha direito a sobremesa

Janta no restaurante do barco. Mergulhar da uma fome, viu. Era um tal de sopa com pao pra comecar e depois um pratao com batata, macarrao, milho, salada, carne. E ainda tinha direito a sobremesa

 

Meu quarto no barco. Claro que a minha cama estava sempre organizada

Meu quarto no barco. Claro que a minha cama estava sempre organizada

 

Registrando um dos meus passeios subaquaticos no diario de mergulhos

Registrando um dos meus passeios subaquaticos no diario de mergulhos

 

Chegando de volta na marina de Cairns. Achei esse barco o maximo, todo antigao, contrastando com os outros todos modernos

Chegando de volta na marina de Cairns. Achei esse barco o maximo, todo antigao, contrastando com os outros todos modernos

Mergulhar na Grande Barreira de Corais foi uma das experiencias mais incriveis da minha vida. Apos dois dias de curso intensivo de mergulho, com aulas teoricas e praticas em uma piscina, embarquei para alto mar para passar tres dias mergulhando. A bordo do barco Kangaroo Explorer (empresa Cairns Dive Centre), deixei Cairns e viajei cerca de tres horas. Dormi durante a viagem e, quando acordei, ja nao havia mais o menor sinal de terra firme. Tudo o que eu via era mar e horizonte.

No primeiro mergulho, que durou cerca de meia hora, admito que estava com medo, muito medo. Achei que ia apavorar e fazer algo muito errado, como submergir rapido demais ou emergir rapido demais, o que pode causar serios problemas de saude e ate a morte – sim, apesar de muita gente nao saber, mergulho eh um esporte de alto risco. Mas fui bem cuidadosa, prestei bastante atencao ao instrutor, fiz os procedimentos de seguranca com calma e deu tudo certo.

A partir dai foi so progresso. O medo diminuiu. O deslumbramento com esse mundo novo comecou. Tudo eh diferente embaixo da agua. Voce fica cercado por agua e nao ar; ve animais nadando e nao caminhando, pulando, rastejando; respira pela boca e nao pelo nariz; pega ar de um tubo e nao da natureza; se comunica por sinais e nao por palavras; se sente um estranho no ninho. E isso eh magico.

Durante os nove mergulhos que fiz durante o tempo em que fiquei no barco, vi tubarao, tartaruga, arraia, peixe-palhaco (Nemo), barracuda, outros tantos peixes que nao sei o nome, corais de cores e formas variadas. No mergulho noturno, descobri camaroes sob a luz da lanterna que carregava e olhinhos vermelhos de bichos que nao consegui identificar. Nao vi olhos verdes (ufa), tipicos de predadores.

Gostei tanto da coisa que nao me contentei so com o curso que licencia para mergulhos de ate 18 metros de profundidade. Fiz tambem o avancado e agora posso ir a ate 30 metros. Em compensacao, voltei durinha da silva para casa. Mas ta tudo bem, ta tudo otimo. Valeu a pena. Abaixo, vao algumas fotos que eu e meus colegas de aula tiramos com uma maquina a prova d’agua durante nossas aventuras. Espero que curtam e se inspirem para fazer o mesmo.

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Falei que ia colocar fotos do lugar onde a exposicao foi montada, a praia de Currumbin, na Gold Coast, e ai esta. A ultima imagem, notem, eh do restaurante baaasico onde almocei.

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Depois de mais um dia de aula teorica e pratica de mergulho, voltei exausta pro albergue xexelento – anotem o nome, Nomads Esplanade. Tomei um banho no banheiro xexelento. Encontrei minhas roupas jogadas no chao xexelento. Mas pelo menos ganhei um vale-janta de graca. E fui, bela, faceira e sozinha, pra fila do bandejao dos mochileiros. Macarrao a bolonhesa com direito a pao para raspar todo o molho do prato. Hummm, delicia. Agora, estou no albergue arrumando minha mochilinha pra ir para o mar amanha. Daqui tres dias, volto da Grande Barreira de Corais e ai conto tudinho aqui, ta? Ate mais.

Boas-vindas:

Depois de um voo de tres horas de Brisbane para Cairns, aqui estou eu curtindo minhas primeiras microferias na Australia. Ate agora, so tinha me aventurado (e acho que nem da pra usar essa palavra) nos arredores de Byron Bay.

Cheguei uma da manha desta sexta-feira e vim direto pro albergue, que nao eh la essas coisas, mas tem boa localicazao - ”esta no meio de quase tudo que ha pra se ver em Cairns”, dizem. Cansada, escovei os dentes, botei o pijama e deitei. Meia hora depois, minha companheira de beliche, dona da cama de baixo, chegou bombando, falando e ascendendo a luz na minha cara. Olhei para o lado puta-da-cara, como se diz no sul, e fiquei ainda mais chocada. A dita cuja estava acompanhada de um mocoilo – detalhe que o quarto eh so para meninas. Em seguida, a guria pulou na cama com ele e esqueceu que havia outras pessoas no recinto. Pensei em dizer “find a room”, mas eles ja estavam num quarto. Pensei em dizer “go snogging somewhere else”, mas ja estava rolando mais que um amasso. Pensei em dizer “f*** you, guys”, mas nem preciso dizer que desisti muito logo. A opcao que sobrou foi me conformar. Entao, meditando, dormi.

Preparacao para a Grande Barreira de Corais:

Oito da manha o despertador tocou e eu queria morrer. Que sono, gente. Mas vamos la, vamos la. Cidade nova, mil coisas pra ver, curso de mergulho pra fazer. Mesmo com todos esses pensamentos, a cara inchada nao desapareceu e cheguei na escola de mergulho parecendo um zumbi bebendo vitamina de banana, morango, maracuja, maca e sei la mais o que. E a primeira aula nao ajudou a espantar a sonolencia. Exame medico, papo sobre a legislacao australiana para mergulhar, video mostrando os equipamentos necessarios, livros com instrucoes de seguranca. Foi necessario um bom esforco para me concentrar e aprender tudo direitinho.

Mas na parte da tarde, senhor do ceu, tudo mudou. “Vamos pra piscina”, gritou o professor. Dois segundos depois, eu ja tinha me jogado na agua. “Oito voltas de nado livre so pra ver se ninguem afunda”, disse ele. “Muito improvavel que alguem que nao saiba nadar venha fazer curso de mergulho ne”, pensei. Engano meu. Tadinho do rapaz polones que mora nos Emirados Arabes trabalhando como engenheiro da computacao. Nao completou duas. Teve que pegar os pes-de-pato para ajudar. E ainda assim suou.

Depois de superado o drama da natacao, hora de treinar o uso do snorkel. Legal, mas depois de dez minutos cansei de ficar olhando para o nada no fundo da piscina. Ainda bem que a coisa foi rapida. Logo, ja estavamos montando e desmontando os equipamentos para mergulhos profundos. E, em questao de uma hora, me vi debaixo da agua com um tubo de oxigenio preso nas costas. Seguindo os sinais do professor submerso, praticamos diferentes formas de respiracao, de limpeza das mangueiras por onde o ar vem, de descidas para a parte da piscina com um metro de profundidade. Demaaaais! E amanha tem mais!

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