Eis que a segunda parte da minha viagem pela Australia esta acabando. Nesse trecho (Byron Bay a Sydney, onde chegaremos amanha), eu e Camila viajamos de carona. Sim, cuidamos bastante e demos muita sorte. So encontramos pessoas boas pelo caminho e so acabamos em lugares incriveis. Nossa primeira carona foi com o Carl, que nos levou de Byron a Ballina. Honra ne!?
Nossa primeira carona de um desconhecido foi dada por uma mae que estava indo de carro para Melbourne com as duas filhas e o cachorro. Estava se mudando para la, na verdade. Ate nos deu um telefone de contato para o caso de precisarmos de alguma coisa la. Depois, veio um sul africano que mora na Australia ha milenios e conversou com a gente sobre a experiencia dele durante o apartheid. Na sequencia, um casal de australianos de meia idade. O marido nos encontrou na estrada uma segunda vez e parou para dar uma segunda carona. Tudo isso nos arredores de Yamba, onde ficamos num albergue YHA que nem era muito bombado, uma raridade.
Na ida para Coffs Harbour, encontramos Jarrod, um australiano que faz manutencao de computadores em escolas. Esse caroneiro acabou virando um companheiro de viagem. Ficamos no mesmo camping que ele em Sawtell, uma praia linda a beira de um rio. E o figura ainda foi fazer uma caminhada conosco em Nambucca Heads, a parada seguinte.
Nambucca, alias, foi uma surpresa. Nao esperavamos nada e achamos tudo. A comecar pelo camping, onde tivemos uma cabine so para nos duas e bicicletas emprestadas para passearmos pela cidade. Camila se empolgou com a pequena cozinha e fez ate galinha ensopada com macarrao, um dos meus pratos favoritos. Eu me empolguei com a bike e fomos pra cima e pra baixo pedalando. O lugar ainda tinha praias lindas e vazias, um lago gigantesco e um calcadao onde as pedras sao pintadas com recados de pessoas que ja passaram por ali. Eu e Camila ficamos devendo nosso recadinho porque nao tinhamos tinta. Mas os elogios a Nambucca ficaram gravados no coracao.
De Nambucca Heads, partimos para Port Macquarie, onde ficamos hospedadas na casa dos queridissimos Stodge e Annie, amigos do Carl. Para chegar ate la, pegamos carona com um australiano de sotaque forte e lingua solta. Falou, falou, falou. Nao parava de falar nem pra respirar direito. Ficamos sabendo que ele tem problemas com a namorada, ja morou nos mais diversos lugares da Australia e faz de um tudo para viver (de compor musicas a fazer bijuterias).
Em Port Macquarie, pelo menos por tres dias, voltamos a ter uma vida de casa, lavando roupa, tendo jantares gostosos e assistindo TV de noite. Alem disso, tivemos a sorte de conhecer uma casa que o Stodge tem no meio da floresta. O Carl ja teve uma casa la tambem, na epoca em que havia uma comunidade hippie no lugar. Gente, abencoado o cantinho para onde o Stodge foge toda semana. Casa confortavel cercada de natureza por todos os lados (com direito a um rio onde tomamos banho).
Depois disso, fomos para Forster, sendo levadas por um pregador que nos contou como Deus o chamou para esse “emprego”, como eh a vida dele trabalhando com diversas igrejas, como ajuda as pessoas com quem conversa. No final, ele nos deixou na frente do lugar onde ficariamos hospedadas, nos abencoou com uma reza e saiu buzinando e dando tchau.
Passada essa parte religiosa, viemos para onde estamos agora: Port Stephens, mais especificamente Anna Bay e One Mile Beach. Chegamos aqui trazidas por um ex-jogador de rugby chamado Aidan. O menino, de 25 anos, parou de jogar de tanto que se machucou. Hoje em dia, trabalha com sistemas de seguranca de bancos. Estava aqui fazendo um servico e foi muito legal dando carona para as amigas. Ate chegar ao albergue de onde escrevo, ainda pegamos outras duas caronas. A primeira foi com um tiozao que disse saber exatamente o que eh ficar parado horas na beira da estrada esperando por uma boa alma. A segunda foi com uma instrutora de surfe viajada que nos contou dar carona na esperanca de que, quando ela estiver na mesma situacao no exterior, alguem tambem a ajude.
Nesse lugar, estamos hospedadas num albergue/camping, um lugar lindo, cheio de arvores e bichos. Tem ate um canguru que mora aqui. Eh uma bebe que encanta todos os hospedes. Eu e a Camila ficamos impressionadas quando noite passada vimos que a bichinha estava dormindo o tempo todo do lado de fora da nossa barraca. De manha, descobrimos a razao. Tinhamos deixado roupas molhadas de agua do mar para secar do lado de fora. Josephine, a filhote de canguru, achou os tecidos de um vestido meu e de uma canga da Camila tao salgadinhos que comeu boa parte deles. Nao fiquei com raiva da Josy. Afinal, perdi um vestido, mas ganhei uma historia.
Bom, amanha vamos sair daqui e rumar para Sydney, onde ficaremos a primeira noite na casa de uma amiga da Parissa e depois pegaremos uma nova van que alugamos. No nosso segundo dia la, ja vamos pegar nosso amigo Caco no aeroporto. E ai a festanca (e terceira parte da viagem) vai comecar. Aguardem pelas cenas dos proximos capitulos. Ate!




































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